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Não raramente, o melhor conselho dado a quem sofre de osteoporose é: “não faça exercícios físicos”. Entretanto, estudo recente desenvolvido pela fisioterapeuta Sylvia Henriques, do Instituto Affonso Ferreira de Ortopedia, vai em direção contrária ao senso-comum e recomenda: “Faça!” Com índices de ocorrência cada vez maiores em todo o mundo, a osteoporose ainda é pouco conhecida pela maioria da população, sobretudo pelas mulheres, maiores vítimas do problema. Em todo o mundo, 150 milhões de pessoas têm a doença. No Brasil, não há estatísticas. Entretanto, as estimativas apontam que 7 milhões de brasileiros estão doentes. Como a osteoporose atinge principalmente as mulheres na pós-menopausa, os especialistas do País estão alarmados: há 20 milhões de brasileiras com mais de 55 anos. Uma em cada três será acometida pela doença.
Considerada uma questão de saúde pública, a doença é difícil de ser tratada precocemente, já que se instala de forma silenciosa no organismo. Não há sintomas que revelem o enfraquecimento do esqueleto. “Muitas mulheres só descobrem o problema depois de fraturar um osso”, afirma a fisioterapeuta do Instituto Affonso Ferreira, Sylvia Henriques. Levando em consideração o grupo de risco que a osteoporose envolve - mulheres brancas, magras, que mantêm um estilo de vida sedentário, dieta pobre em cálcio, fumantes e que entraram precocemente na menopausa - Dra. Sylvia pesquisou, em sua tese de doutorado (2004), as alterações musculares e esqueléticas de risco que facilitam quedas em mulheres na pós-menopausa com osteoporose. Revelações - Dentre as condições músculo-esqueléticas avaliadas no estudo, o comprometimento da força muscular foi uma das principais alterações evidenciadas. Ao contrário do senso-comum que incentiva as portadoras de osteoporose a praticarem pouco exercício físico a fim de evitar fraturas, o estudo constatou uma relação significativa entre a redução da força muscular com o decréscimo da densidade mineral óssea na coluna vertebral, “o que quer dizer que a prática de exercícios físicos é essencial, tanto para a prevenção, quanto para o manejo de deformidades ligadas à osteoporose”, ressalta a fisioterapeuta. Os protocolos mais modernos de tratamento da doença contêm o exercício físico como parte integrante dos planos de recuperação e têm como objetivo a redução da dor - que afeta dois terços dos indivíduos portadores da osteoporose, aumento da mobilidade e melhora nas condições musculares, de balanço e equilíbrio. Nesse contexto, as alterações observadas no estudo apontam que a osteoporose pode ocasionar ainda importantes repercussões psicológicas. A dor ocasionada pelas fraturas associada à perda de mobilidade e independência pode levar à depressão e à ansiedade. O medo de novas fraturas, a frustração em não poder realizar suas atividades e perda da auto-estima afetam significativamente a qualidade de vida da mulher. Além dos benefícios para os ossos, os exercícios devem promover, de maneira geral, uma série de alterações fisiológicas, como o aumento da capacidade aeróbica, melhoria na tolerância para atividades da vida diária e condições respiratórias, bem como redução da fadiga. Segundo Dra. Sylvia, os programas de exercício para mulheres com osteoporose na pós-menopausa devem ser praticados de duas a três vezes por semana. “É muito importante lembrar que esses exercícios devem ser praticados com orientação e supervisão médica, sempre. Outro cuidado é evitar ao máximo exercícios que exijam flexão do tronco, por exemplo, por favorecerem a acentuação da curvatura da coluna para frente. É bom frisar essa recomendação, pois a maioria dos exercícios abdominais são realizados com o indivíduo deitado de barriga para cima, flexionando o tronco para frente, e quem tem osteoporose não pode faze-lo de jeito nenhum!”, ressalta a fisioterapeuta do IAF. É claro que não só os exercícios têm papel fundamental na qualidade de vida de mulheres portadoras de osteoporose. Além de manter uma dieta rica em cálcio e evitar o álcool e o fumo, orientações referentes à postura adequada nas atividades de vida diária são importantes no combate à evolução acelerada das conseqüências da doença. Conhecimentos sobre como realizar os movimentos do corpo, como se sentar e como ficar em pé de forma adequada podem ajudar a prevenir fraturas e melhorar a qualidade de vida, lembrando sempre que, para a pessoa que sofre com a osteoporose, todo cuidado é pouco. |
