O alongamento ósseo é procedimento cirúrgico que pode ajudar na correção de irregularidades do crescimento ocorrido na infância ou mesmo defeitos como seqüelas de acidentes, ou ainda para efeito estético indicado em indivíduos de baixa estatura que queiram crescer após o fechamento das placas de crescimento.
Nesta cirurgia o osso é cuidadosa e vagarosamente alongado após ser cortado e novo osso ocupará a zona alongada. Correções de angulações poderão também ser conseguidas pelo mesmo processo.
O histórico do alongamento ósseo começou no século XIX quando alguns cirurgiões se preocuparam na correção das discrepâncias entre os membros inferiores e em indivíduos de baixa estatura.
No entanto a técnica realmente evoluiu no século XX quando o cirurgião siberiano Ilizarov descobriu o fenômeno da osteogênese por distração (afastamento dos fragmentos), ou seja a habilidade do osso de se regenerar , preenchendo o espaço criado pela cirurgia com novo osso.
Ilizarov inventou um fixador externo para conseguir o alongamento ósseo, o que mudou a vida de milhares de pacientes.
Paralelamente ao desenvolvimento dos fixadores externos, sistemas de fixação interna (ou seja dentro do osso) foram investigados e implementados na prática cirúrgica para o tratamento de fraturas.
Em 1939, durante a 2° Grande Guerra Mundial, o cirurgião alemão Gerhard Kuntscher usou pela primeira vez um pino intramedular ósseo promovendo estabilidade nas fratruras do fêmur, iniciando assim a popularização do seu uso em outros ossos longos.
Com a experiência no tratamento das fraturas usando os pinos intramedulares bloqueados, vieram à tona e passaram também a ser usados como coadjuvantes dos alongamentos ósseos.
Este desenvolvimento foi extremamente benéfico para os pacientes, pois são muito mais confortáveis e aceitos do que os fixadores externos, gessos, etc.
Além disto os pinos intramedulares conseguem reduzir o tamanho das incisões, reduzem a fase dolorosa e também as complicações vásculo-nervosas.
Durante o seu período de pós graduação nos Estados Unidos , a partir de 1957, onde passou 5 anos em hospitais ortopédicos: St. Francis Hospital (Illinois) , Campbell Clinic (Tennessee) e na New York University, o Dr. José Carlos Affonso Ferreira participou de centenas de casos cirúrgicos usando os pinos intramedulares, na época relativamente novos no mercado de materiais para tratamento das fraturas, principalmente do fêmur e da tíbia.
De volta ao Brasil e com este cabedal, o Dr. José Carlos desenvolveu, no Instituto Affonso Ferreira o uso destes materiais . Na época, era mais usado e conhecido o método de fixação das fraturas por meio de placas e parafusos. Eventualmente o uso dos pinos se tornou mais popular e hoje, certamente são muito mais usados .
Baseado na sua experiência e em conjunto com os outros membros do Instituto Affonso Ferreira, adaptou técnicas conhecidas com o uso de distratores e desenvolveu a técnica de alongamento em “Z” utilizando, nos últimos anos, enxertos sintéticos e células tronco, retiradas do osso ilíaco do próprio paciente, preenchendo com isto o espaço criado intra-operatoriamente e facilitando a formação do novo calo ósseo.
Mais recentemente os membros do Instituto Affonso Ferreira foram pioneiros, no Brasil, no uso da técnica de alongamento ósseo utilizando os pinos intramedulares tipo ISKD, hoje o “Padrão Ouro” dos sistemas de alongamentos ósseos , provavelmente “enterrando” definitivamente o uso dos fixadores externos , principalmente nos casos de alongamentos estéticos.
