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Recapeamento do Quadril (Resurfacing)

O advento das próteses totais do quadril (PTQ), na segunda metade do século passado, se caracterizou como sendo o processo cirúrgico ortopédico (artroplastia total do quadril – ATQ) de maior benefício do século XX.

Embora as primeiras próteses totais do quadril, em 1938, tenham sido feitas com duas superfícies de metal e muito usadas nos anos 50 e começo dos 60, muitas delas se soltavam prematuramente, pois seus mecanismos de fixação não eram eficientes e a metalurgia da época não contribuiu para o seu sucesso. No começo dos anos 60, o cirurgião inglês John Charnley desenvolveu um novo tipo de prótese, que ainda hoje está em uso. A cabeça femoral (fig. C),é cortada e substituída por cabeça metálica sobre uma haste colocada no canal medular do fêmur, que se articula com uma copa de polietileno colocada no acetábulo, sendo ambas fixadas ao osso com cimento ósseo: polimetilmetacrilato.

Esse tipo de prótese é ainda hoje o mais usado universalmente. São realizadas em torno de um milhão de PTQ por ano em todo o mundo.

No entanto, o polietileno, embora seja muito bem tolerado pelo nosso organismo, sofre desgaste ao se articular com o metal da cabeça femoral. As partículas finíssimas que se desprendem de sua superfície (debris plásticos) causam irritação no osso circunvizinho, que é reabsorvido por mecanismo natural, e pode levar à soltura da prótese. Esse mecanismo de desgaste do polietileno e a sua consequente reabsorção óssea, podem levar de15 a 20 anos para que permita a soltura dos componentes.

Até os anos 70 e 80, as PTQ eram indicadas apenas para pessoas mais velhas, pois têm menor atividade física, o desgaste é menor e a maioria dos paciente morre com a sua prótese primária.

O sucesso das ATQ com o uso de polietileno foi de tal ordem que iniciou-se o uso dessas mesmas próteses em pacientes cada vez mais jovens, o que acarretou um maior número de revisões, que são, sabidamente, cirurgias mais complexas, com maior número de complicações e de menor durabilidade.

Ainda nos anos 70, alguns cirurgiões iniciaram o uso das próteses de recapeamento: a cabeça do fêmur é deixada inteira e simplesmente recapeada, articulando-se, então, com uma copa de polietileno. O uso de cabeças grandes determinava o uso de copas finas, o que resultava em seu desgaste prematuro e retorno aos problemas dolorosos.

Criou-se, então, a necessidade de se descobrir uma maneira de tornar as PTQ mais duráveis em pacientes jovens e ativos.

Nos anos 90, a Europa começou a difundir a próteses de recapeamento, que consiste no uso das duas superfícies metálicas ( cromo – cobalto ) e da conservação da cabeça femoral, pois ela será simplesmente recapeada.

Pela eliminação da copa de polietileno, usada na prótese de quadril convencional, as superfícies metálicas proporcionam durabilidade muito maior do que as feitas de polietileno.

Como o procedimento não remove a cabeça femoral – pois ela é simplesmente remodelada e recapeada, caso necessário sua eventual substituição poderá ser feita por uma prótese convencional, como se fosse uma cirurgia primária, sem as complicações e problemas das revisões.

Por outro lado, existem também algumas desvantagens nesse procedimento, além das normalmente verificadas nas cirurgias para próteses totais convencionais do quadril: infecções, problemas técnicos intra-operatórios, anestésicos, etc. Uma delas é a falta de conhecimento dos resultados a longo prazo, pois, até agora, a experiência dos europeus, em torno de 12 a 15 anos, permite desempenho que é comparável aos resultados das próteses convencionais. Outra desvantagem é a da probabilidade de fratura do colo femoral após a cirurgia. Não é frequente, mas é uma das contra indicações para pessoas mais velhas, acima de 65 anos, que já apresentariam certo grau de enfraquecimento ósseo.

A cirurgia de recapeamento é indicada, principalmente, para pacientes jovens, ativos e que não tenham deformidades importantes, tanto da cabeça quanto do acetábulo, o que dificultariam o processo cirúrgico. A faixa etária ideal é até os 55 anos, ou até 65 anos em pessoas muito ativas e saudáveis, pois, nesses casos, as próteses convencionais sofreriam desgastes ou solturas, vindo a necessitar de cirurgias de revisões.